segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Alentejo – o meu “Sítio”...



Maria Tereza Ramalhão, 03 Junho 2008



Verão! Chegados ao Alentejo ficaram os espíritos deslumbrados e seduzidos.
O assombro, aumentou-o um poente doirado e tranquilo que sobre esta terra descia numa luz em declínio...

Estávamos no Alentejo. Paisagem larga e dilatada.
Vastidão tanto exterior, como interior.
Horizonte vasto. Corações imensos e limpos.

Depara-se-nos uma paisagem despojada. Uma natureza quase sem sobressaltos.
Um céu... onde o azul pontifica e se confunde com a linha perdida do horizonte.
A extensão do céu... abraça a extensão da terra.

Searas estendem-se como mosaicos, geometricamente ordenadas, num convívio pacífico com muros que quase não existem e com um arvoredo quase escasso.

Alongam-se as searas.
Exalam de dia perfuma doce e intenso. À noite, este perfume inebria. È quente, tão quente que parece saído das entranhas de uma terra que se abre e se oferece para que a sintam.
Acompanha-o ao perfuma, igualmente à noite, um silencio sonoroso e sedutor que nos envolve.
Este silencio, só o ouve quem se harmoniza com a tranquilidade daquele chão ao mesmo tempo suave e telúrico.
È a magia deste Alentejo, dos seus dias, das suas noites.
Aqui o coração, e até a solidão! se surpreendem... ora com o sol, ora com a lua!
Este é o meu sítio!
E é nestas noites majestosas, amplas de silencio, de simplicidade e de encanto, de cumplicidades, que as pessoas se sentem mais próximas. A conversa solta-se, as palavras correm com o silencio estendido... e os corações abrem-se, agora mais confiantes, neste sítio e neste tempo !
O Alentejo contagia-nos com a sua limpidez... a das almas, a da luz e a da noite.

Em dias de Verão pleno, de calor aceso e ar parado, sem bulício, os animais recolhem-se ao abrigo que só oliveiras e azinheiras protectoras concedem.
Na terra, as espigas já ceifadas e cansadas estendem-se, cumprida a sua missão.

A presença humana, neste Alentejo, a Natureza obriga-a à discrição.
Aparecem na terra e, em horas poucas, no refúgio fresco de pequenas vilas, de casas alvas, tão brancas que espelham a luminosidade dos dias e parecem arrumadas por um qualquer redemoinho de vento, persistente.

Poetas deixam-se inebriar por esta terra, ora de um verde tenro, ora áspera e agreste.
E cantam-lhe os homens e as mulheres, escuros no trajar mas de coração claro.
Cantam os seus cantares, o branco das casas/refúgio, a luz, a serenidade...



Pintores exaltariam esta paisagem.
Na sua paleta, o verde das árvores de tons vários, recortar-se-ia com o tom doirado das searas.
A tonalidade afogueada da terra alternaria com o vermelho ardente das auroras e dos poentes...
E o azul inconfundível do céu, a luminosidade estonteante do dia, deixo-os ao engenho e magia do pintor...

Estávamos no Alentejo. Terra de alento apesar da agrura. Terra de calma, contida.
A hora de partida haveria de chegar.
Iria deixar o tempo que ali corria alongado, sem pressa.
Deixava o meu Sítio!
Mas trouxe comigo a sua Serenidade... no coração.


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