terça-feira, 12 de julho de 2011

Dois poemas de Armando Pinheiro




Essências

Não sei se a música é um ar que se move,
à sorte ou dirigido;
se a pintura é a tinta a escorrer sensível
no esboço da imagem;
se a escultura é relevo e sulco irreflectidos
sobre a matéria amorfa;
se a poesia é qualquer destas essências liquefeitas
em sonho.
Da minha ignorância nasce a Vida.



Manhã de sol

Vieste ao quarto, abriste-me as portadas
com o sol a fazer-te companhia, d
este-me um beijo, e o som da poesia
entrou dentro de mim às badaladas.

Velho e gasto de múltiplas jornadas,
despertei com a súbita energia
que a manhã deste modo me trazia
e eu transformava em sílabas. Mãos dadas

com o calor da luz e da ternura,
uma espécie de sonho, porventura,
inundava-me a alma docemente.

E tive a sensação de que Deus vinha
dar-me os bons dias e que assim me tinha
inspirado um soneto de repente.


Armando Pinheiro


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